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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A Maceió: a Praia do Sobral e o rapaz acorrentado.



 
46: Pesquisa: Paisagem e cotidiano: Praia do Sobral: Maceió: Alagoas: Brasil

Fotografias de Luiz Sávio de Almeida

02/11/2017

Nós estamos com estas fotografias, em busca de uma documentação sobre o processo urbano de Maceió e diante da que se pode chamar de orla proletária da sociedade, uma espécie de ponto de contraste com a região da orla da Maceió de fora. Esta é uma orla mais ao gosto de uma Maceió de dentro.
                   A chamada Praia do Sobral jamais foi um point em Maceió, mesmo após a construção de dois hotéis, que não foram adiante e nem renovaram o prestígio que sempre teve a Praia da Avenida e, posteriormente, a da Pajuçara, vindo em seguida a  Ponta Verde e a Jatúca. Parece que duas  circunstâncias contribuíram para isto: uma delas foi a vizinhança com o Ouricuri e outra foi a instalação do Salgema, o que alterou toda a atenção imobiliária que o capital por ventura intentasse  na praia.  Hoje coloco algumas fotografias e a maioria delas pretende chamar atenção para o humano que fica engatado na paisagem, na praia sem a proteção de arrecifes. Como estará em 2050? O futuro como lidará com esta porção da cidade?


    Se eu não me engano, esta era a casa do Professor Jayme de Altavilla e na foto anterior, lembro que era o local da residência de um amigo – apesar da diferença de idade – que foi o Deraldo Campos e a quem devo muito pelos incentivos e sugestões. Frequentei muito a sua casa; ele tinha uma coleção belíssima de relógios e os acertava para um concerto de badaladas. Depois foi uma escola que dois filhos frequentaram.
Esta é uma visão que mostra muito da paisagem que faz a  rua que se não me engano tem o nome do Chateaubriand, este francês nascido na Paraíba e que tanto poder teve nas comunicações nacionais, espécie de um Marinho atual da Rede Globo mas com o charme  de uma vedete política.

Sempre achei interessante esta bifurcação. O busão pega um caminho diferente da avenida, ganhando o mundo da concentração das casas, procurando pegar o dinheirinho do pobre que perdeu o bonde.

A mulher sozinha caminha sem sombra, com sua sandália havaiana, pisando na calçada desleixada de um terreno desleixado. Lá no fundo, a Maceió para cima.
Duas maceiosinhas: todas duas para o alto sendo uma mais pobre e outra da classe média dita remediada. Por aqui não mora a riqueza propriamente dita.


O novo que se faz em Maceió jamais se deixa vencer pelo desleixo privado e público. Maceipo, dentre outras pontos, é uma cidade que sofre pela falta de rigor na fiscalização e assim fica sempre permissiva.


Estamos pertinho de um lugar que sempre me chamou atenção e nem mesmo sei se já foi realizado algum estudo de maior profundidade sobre suas transformações. Era a antiga Favela do Ouricuri. Será que nos recordamos dela? Ou as áreas pobres ficam no indistinto da memória sobre e da cidade? Existe uma memória coletiva e por onde anda e quem e como é construída?

Nada mais Maceió do que esta foto, onde o cavalo serpenteia a rua, ajudando a uma família sobreviver. A carroça e o monturo são marcos que recordam e determinam-se na pobreza que se vive. Jamais a Avenida, Pajussara e Jatiúca e Ponta Verde teriam uma vizinhança deste tipo. Os pobres estão afastados naquelas regiões e estes estão á beira mar
Esta é outra cena jamais que jamais poderia ser vista na orla de fora, aquela de altíssimos investimentos imobiliários. E mostra a estética da mercadoria, com as bananas penduradas a a fazerem o retorno das velhas quitandas em mistura com as velhas bodegas. O coco na calçada aconchega o verde. Veja o desnível na calçada e a porta tosca à direita, contrastando com a casa melhorada sua vizinha, devidamente diferenciada. A moto que era uma indicação do play boy hoje é a indicação de transporte operário e do trabalhador de baixa renda em geral.
A solução dada para morar é a que vem do que chamo nas aulas de arquitetura da carência. Ele tem que viver e se proteger, como se pode verificar pelo que está colocado na calçada: medo da casa levar uma porrada, medo que talvez venha de alguma experiência tida ou sabida.  No lado direito, a telha; e  no esquerdo ele descansa. Lá em cima, se olha para o mar como jamais se faria na orla de fora, a orla onde a paisagem foi a grande mercadoria vendida. Eles olham a paisagem com seus olhos de dentro, da intimidade de nossa organização urbana. É bonito o cuidado com as cobertas e é fantástico o que faz a arquitetura da sobrevivência feita com as pequenas sobras e pródigas em descobertas de solução.

Gostei dos desenhos na parede, a mistura de motivos, o símbolo do anarquismo e, na realidade, uma forma do artista falar com a cidade, a bem dizer, vez em quando, forçando sua arte aparecer dentro de uma estrutura que a nega.  À esquerda, caminha-se, sendo de ver as sacolas verde-amarelas a relembrar o eterno feriado nacional da antiga e bela modinha: a festa dos trapos coloridos.
A posição dos braços, mostra decisão na marcha regresso, com coisas leves ensacadas e que me fazem lembrar de pipoca.
Então, a orla de dentro sempre mostra sua diferença com a orla de fora,

O artista coloriu e deu aos pescadores um novo mar: o mar de parede. O interessante é que  se trata de uma pintura tabuleta a querer ilustrar que aqui vivem pescadores e lá dentro, a parede mostra como vivem. Há um flagrante contraste entre a idealização dos volteios de golfinhos e o sujo na calçada.


Como sempre, o pecado mora ao lado! As grades! O pecado se protege! É dito ser uma pousada rotativa! Quem entra aí para repousar?
A Avenida se divide em duas e uma delas é o imenso calçadão que se transforme nos fins de semana, feriados e dias de guarda. Os lugares são miméticos e já se nota, na altura de tempo desta fotografia, a imensa transformação o colorido do plástico a chocar-se com o tom de verde no mar.



O portal aberto e o esgoto esburacando. Foi muita a transformação no Pontal da Barra. O que era o bucólico lugar de pescadores, transformou-se em uma espécie de imenso mercado. Das áreas consideradas pobres em Maceió, foi uma das que sofreu maiores transformações e ela é, na orla de dentro, uma espécie de reverberação da orla de fora.
Alguém chegou a me dizer, que por aqui eram imensas dunas e que a areia foi carregada para construção do porto. Nada sei sobre isto, mas sem dúvida é curioso. Ainda alcancei a ondulação marcante de dunas por aqui. Para ond está indo a areia que o vento trazia? Ainda existe vento?




Realmente não sei se aquela tripa é a da salgema ou do bostrodomo. Sei que a barraquinha é aconchegante.
A diferença no traçado das orlas fica demonstrado claramente

E é assim que se espera a ida e se descansa quando o sol arde e os pés pedem clemencia. É interessante como a mancha na calçada e o desenho da meia, parecem mostrar o rapaz acorrentado.






              
 

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