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quinta-feira, 19 de abril de 2018

Praia: amor e mistério


Praticamente, levo hora e meia por dia na praia e aprendo muito sobre a vida. Estas fotos foram feitas no dia 27 de janeiro deste ano e para mim são cenas de amor e de busca pelo tempo. Um homem curva-se para a criança e uma mulher parece espreguiçar-se, um dos mais belos verbos da língua portuguesa
Não sei se estou errado, mas uma foto deve falar a quem a vê; ela se destaca do fotógrafo e se entrega ao diálogo com quem a procura, de fato, ver. São muitos tempos ensimesmados em uma grafia com a luz. Traduzir o mundo em sentimentos numa escala de 0 a um, do branco ao preto e o  poço sem fundo dos cinzas, não é sopa.


  O que pensa a senhora sentada na cadeira?

domingo, 15 de abril de 2018

Maceió: a praia, tempo, imagem, crônica. A cidade que existe em mim (12/04/2018)

Há uma tentativa diária de documentação de minhas andadas pela praia. Caminhar quase flaneur é um ensaio de encontro consigo mesmo. Decidi publicar no blog, o dia a dia destas andanças, quase uma espécie, se pode existir, de uma etnografia visual da ligação entre a minha estrutura pessoal no momento e o que eu via fora de mim. Acho que momentos podem ser guardados de muitas formas e repartidos também. Estas fotos dizem alguma coisa, nem sei bem o quê.
Aqui estão e apareceram no dia 12 de abril de 2018. Pare eles, escrevi um pequeno texto, assim que cheguei em casa: 

1.0 - A praia hoje!
O tempo, imagem, crônica
Salam Alekun!
Cai água na água, mas sempre tudo se anuncia à cidade. Alá nos ensina a ver a água cair! Alá fez os pingos da chuva e Alá fez as lágrimas: pingos do céu e pingos da alma! Grande Alá!






sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Gentes da praia: o gari, o joio e o trigo na praia da Jatiúca em Maceió

 É um trabalho estafante. Falei com ele e pensou que eu fosse de fora. Disse de modo amável: Obrigado por estar aqui na minha terra! Eu fiquei com vergonha de dizer que era de Maceió. Terminei dizendo e ele arrematou: Nossa terra é muito boa, os políticos é que não prestam!

E continuou na tarefa de separar lixo do sargaço, como quem separa joio do trigo.

Foi quando vi seu carro parado, no  meio do mar de sargaço, tendo ao fundo uma selva suntuosa. Sursum corda!

Gente da praia: o carinho sob o sol e ao lado das águas da praia de Jatiúca em Maceió

Nem precisa falar. Qual o pai que não se encontra nesta foto?

Gente da praia: a lição de um vendedor de jornal na praia da Jatiúca em Maceió

Mário vende jornal na praia desde seus 15 anos. Agora tem 45: é casado, tem duas filhas, mora no Jacintinho. Chuva ou sol, ele fica em pé, esperando o sinal fechar; então, vai aos carros. Tem dia que logo cedo pela manhã, encontra-se comigo e diz: Já vendi tudo; agora vou embora para casa. Tem dia que demora mais um pouco; é desta venda que sustenta a família. Vendeu o que necessita, arrasta os pés em direção ao Jacintinho, de onde vem sem qualquer luz do sol. Aprendo com ele, com seu passo devagar. E sinto uma extrema alegria por ter descoberto que a praia é mais um lugar que se tem para aprender sobre a vida.