Memorial Brasil de Artes Cênicas
| Associação Teatral Joana Gajuru |
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Associação Teatral Joana Gajuru tem 17 anos de fundação. Primeiro grupo
de teatro de rua de Alagoas, o Joana Gajuru se notabilizou no Estado e
no Brasil por seu trabalho, ligado sempre à pesquisa e aos estudos do
fazer teatral na rua e também no palco, e ao uso em suas montagens das
culturas populares nordestina e brasileira.
Esse trabalho está presente em A Farinhada, espetáculo com mais de 20
prêmios e que marcou o teatro alagoano, Uma Canção de Guerreiro no
Chumbrego da Orgia, espetáculo de rua que marcou a estreia do grupo,
Baldroca, Versos de um Lambe Sola, Fome Come, A Estória da Moça
Preguiçosa, Severino Gajuru, entre outros.
Em 2010, o grupo completou 15 anos e para marcar essa data, realizou o
projeto Memórias dos Filhos de Joana. Entre as ações comemorativas
estava o lançamento da revista Gajuru 15 anos – Memórias dos Filhos de
Joana.
A revista conta a história do Joana Gajuru, com registro fotográfico
de seus espetáculos, informações sobre suas montagens, homenagens.
O objetivo era documentar a história de um dos grupos mais
importantes do teatro alagoano e contribuir para a pesquisa, a arte e a
formação.
Além desse registro, no ano de seus 15 anos o grupo realizou outras
ações: exposição de figurinos e apresentação de seu repertório com a
Mostra Gajuru de Teatro.
A história
A Associação Teatral Joana Gajuru, fundada em 29 de janeiro de 1995,
na cidade de Maceió, é o primeiro grupo de teatro de rua de Alagoas,
Estado da região Nordeste do Brasil. Seu nome é uma homenagem a Maria
Joana da Conceição, a Joana Gajuru, primeira mestra de Guerreiro,
folguedo alagoano.
O Joana Gajuru surgiu a partir de uma oficina de teatro de rua ministrada pelo grupo Imbuaça-SE, em 1994, em Maceió.
Abides de Oliveira, Aílton Protásio, Diva Gonçalves, Jairo Bezerra,
Jorge Adriani, Regis de Souza, Vlademir Dantas e Tereza Gonzaga, que
também eram alunos do Curso de Formação do Ator da Universidade Federal
de Alagoas (Ufal), resolvem criar o grupo.
A estreia aconteceu na performance Uma Palavra em Quatro Tempos, com
direção de Homero Cavalcante, encenada no Teatro de Arena Sérgio
Cardoso, com Abides de Oliveira, Jorge Adriani, Regis de Souza e Aílton
Protásio em cena.
Desde o seu início o grupo teve como metas desenvolver o seu trabalho
a partir de pesquisas da cultura popular, dos elementos dos folclores
alagoano e nordestino e da Literatura de Cordel. Além disso, manter o
intercâmbio com fazedores das artes cênicas no Brasil, sempre
trabalhando com profissionais locais e de outros estados, a exemplo de
Lindolfo Amaral-SE, Marcondes Lima-PE, Eliézer Rolim-PB, René Guerra-AL,
Homero Cavalcante-AL, entre outros. E a rua como palco principal.
Entre os frutos do reconhecimento do teatro desenvolvido pela
associação estão os mais de 40 prêmios recebidos nesse período em
festivais nacionais, eventos locais e regionais. Até 2011, o grupo
desenvolveu também um trabalho com crianças e adolescentes do bairro de
Fernão Velho, em Maceió- AL, por meio do ponto de cultura ABC Guerreiros
de Joana.
O grupo alagoano é alvo de pesquisa em Alagoas e seu teatro
referência para trabalhos de conclusão de curso nas universidades
alagoanas.
No ano de sua fundação, o grupo estreia Uma Canção de Guerreiro no
Chumbrego da Orgia, que traz texto adaptado da Literatura de Cordel e
elementos do guerreiro, como músicas, danças e cores. Na direção,
Lindolfo Amaral, do grupo Imbuaça, que foi fundamental para os novos
atores estrearem na rua.
Com o trabalho reconhecido em Alagoas, o Joana Gajuru leva em 1996
seu espetáculo de estreia para outros estados do Nordeste e do Brasil.
Em Santa Catarina, no Festival de Teatro Isnard Azevedo, Uma Canção de
Guerreiro leva o prêmio de melhor direção e figurino e é indicado a
melhor espetáculo – teatro de rua. Ainda esse ano, o grupo participa da
Circuito Nordeste de Teatro, levando seu espetáculo de rua para Paraíba,
Rio Grande do Norte e Seripe.
Em 1996, os componentes do grupo aceitam o desafio da autoencenação e
levam à cena o texto do alagoano Luiz Gutemberg, O Auto da Lapinha
Mágica, auto de Natal que, sob a direção dos próprios integrantes do
Joana Gajuru, utiliza as figuras de uma lapinha para fazer
questionamentos sobre cultura e política em nosso século.
Após duas montagens de rua, os membros do Joana Gajuru decidem
desenvolver um trabalho no palco. E a "estreia" é com o texto do
sociólogo alagoano Luís Sávio de Almeida: A Farinhada. A peça conta o
cotidiano das casas de farinha, a opressão do patrão e uma história de
amor que acaba em tragédia. Com A Farinhada, a associação firma seu nome
no Nordeste e no cenário nacional. Em quase dez anos, a peça colecionou
mais de 20 prêmios em festivais nacionais e cerca de 56 indicações.
Na montagem seguinte, de 1998, o grupo retorna à rua com Olé, Olé,
Gajuru o Guerreiro é Você!, uma homenagem à mestra de guerreiro Joana
Gajuru. Em 2000, o grupo leva o cancioneiro infantil tradicional e
popular para o palco, com o infantil A Estória da Moça Preguiçosa. No
ano seguinte, o Gajuru monta Severino Gajuru, que é uma adaptação de
Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.
Em 2004, o Joana Gajuru monta dois espetáculos de rua. O primeiro,
Fome Come, texto do sociólogo Luís Sávio de Almeida. Em seguida, a
associação adapta um conto de João Guimarães Rosa, Corpo Fechado, para a
rua. É o espetáculo Baldroca, com direção de Lindolfo Amaral. Em 2006, o
grupo monta outro espetáculo de rua, A História do Casamento Coisado.
Em 2007, o Gajuru faz a adaptação para o palco da obra do ex-sapateiro
Antônio Aurélio de Morais com Versos de um Lambe Sola.
Em suas inúmeras montagens, a associação desenvolveu pesquisas e a
partir delas usou o trabalho estudado em seus espetáculos. A literatura
de cordel em Uma Canção de Guerreiro no Chumbrego da Orgia (1995), o
folguedo Guerreiro em Olê, Olê Gajuru o Guerreiro é Você (1999), os
causos e ditos populares em A Farinhada (1997), o pastoril em O Auto da
Lapinha Mágica (1996), as crenças religiosas e a medicina popular em
Baldroca (2004), as tradições juninas em O Casamento Coisado (2006), o
cancioneiro infantil em A Estória da Moça Preguiçosa (2000).