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domingo, 3 de março de 2019

Vila de Pescadores de Jaraguá: tradicionalidade e resistência urbana (I)







Parmênides Justino Pereira. Natural de Recife-PE, vivente das Alagoas dedes 1978.  Graduado em Psicologia e Mestre em Sociologia pela UFAL. Doutor em Educação pela UNICAMP. Professor da UFAL/Palmeira dos Índios, leciona as cadeiras de Introdução à Sociologia, Pesquisa em Ciências Sociais, e Psicologia Política. Coordenador do Grupo de Pesquisa (CNPq) Psicologia Política, Movimentos Sociais e Políticas Públicas. Defendeu pesquisa sobre remoção forçada de populações vulneráveis, onde acompanhou o caso da Vila de Jaraguá desde 2005, e atualmente estuda diversas comunidades em Arapiraca, como os pescadores do Lago da Perucaba, os removidos da comunidade Caboge (atual Bosque), e conjunto Frei Damião (ameaçado de remoção). Também desenvolve pesquisa sobre a visibilidade da Jurema Sagrada em Alagoas, com ênfase na autoafirmação indenitária da religiosidade afroindígena, momentaneamente concentrada nos desdobramentos da Jurema no agreste alagoano. 





Vila de Pescadores de   Jaraguá: tradicionalidade e resistência urbana (I)

Parmênides Justino Pereira


Quando, em meados de 2015, a sociedade alagoana se deparou com os desdobramentos finais relativos à expulsão dos moradores da Vila de Pescadores do Jaraguá pela Prefeitura de Maceió, a partir da prolatação da sentença de despejo, a maioria dos seus habitantes não entendia o que levava moradores de uma favela suja e degradada a recusar a benevolência da gestão municipal, que oferecia apartamentos na praia do Sobral e um parque público, chamado centro pesqueiro. Outros maceioenses, que conheciam superficialmente a história, estranhavam a reação da sociedade civil organizada (Movimento Abrace a Vila), e criticavam profissionais e estudantes que perdiam seu tempo defendendo uma favela. O que as pessoas - mal informadas pela imprensa local[1] - não sabiam, era que se tratava de um fenômeno que Paulo Freire conceituou como “falsa generosidade”, mediante um processo de expropriação urbana que vinha se desenrolando muito antes da proposta de substituir a Vila por um centro pesqueiro. Vinha, na verdade, desde meados dos anos 90, através de atos administrativos questionáveis, contraditórios e omissos em relação à melhoria da qualidade de vida da população, além de um conjunto de agressões e violência simbólica pautada pela desqualificação social da comunidade e o desejo quase compulsivo de expulsar os pescadores e marisqueiras de seu território tradicional.
Durante o processo de remoção, houve uma polêmica, desnecessária, sobre a real historicidade da vila. A Prefeitura de Maceió não concordava com a tese de que a história da cidade teria surgido de uma vila de pescadores, sustentando sua tese em um mapa de 1973, em que esta não aparecia. Achar que um mapa seria capaz de dar conta dos aspectos  dinâmicos da geografia foi mais uma estratégia política de desqualificação da comunidade do que propriamente um interesse lógico pelo conhecimento real da história da cidade. A importância de Maceió no cenário regional decorre bastante do ancoradouro, e todo o litoral era cheio de pescadores, desde a época colonial. As evidências culturais da importância dos pescadores na formação social de Maceió são antigas. [...] Todavia, é em Craveiro Costa (1981) que se encontra uma referência mais próxima, fazendo alusão ao povoamento a partir do riacho Salgadinho e estabelecendo relações com o início do bairro.
   
  Assim, considera-se que a importância social dos pescadores na formação da cidade é um fato inconteste, baseado em referências historicamente consistentes, embora o mapa de 1957, apresentado pela Prefeitura como argumento para afirmar a não importância da Vila para a história da cidade de Maceió, não dê conta dessa realidade, possivelmente devido a limitações cartográficas. Para compreender a importância da Vila é preciso, antes, entender como sua trajetória se funde à do próprio bairro. No início do século XIX, o bairro de Jaraguá começa a se destacar como zona portuária que movimentava o comércio, a cultura e a vida de Maceió, que chamava a atenção por ser uma aldeia de pescadores. Em 1818, com a chegada do primeiro governador de Alagoas, Sebastião Francisco de Melo e Póvoas, o lugar passou a viver um crescimento vertiginoso, com a instalação de pontos comerciais, belos sobrados, ponto de encontro de empresários, intelectuais e políticos. Tudo isso levou o governador a trocar a capital de Alagoas do Sul (povoado do Francês) por Maceió, devido, sobretudo, ao movimento do porto de Jaraguá.
[...] A geografia presenteara o local com a capacidade de servir como barreira de proteção das embarcações contra as correntes marinhas. É esta característica que faz do lugar a passagem e estada de variados visitantes. E é quando o Porto de Jaraguá supera o Porto do Francês, que se desenvolve o comércio no povoado, atraindo cada vez mais pessoas.
Outra questão que alimentou os debates entre comunidade e Prefeitura foi a tese de que pescador não precisa viver em frente ao mar, porque em outros pontos da cidade existem
pescadores que não moram na praia, a exemplo dos bairros de Pajuçara, Jatiúca e Ponta Verde. Esse argumento esbarra não apenas na impossibilidade de compreender uma comunidade tradicional importando o contexto de outras realidades históricas, como também na omissão de fatos históricos que explicam como tais pescadores foram afastados da praia, por meio de reestruturações urbanas higienistas e avanços do mercado imobiliário voltado para o consumo da elite. É neste sentido que se explica, por exemplo, o surgimento dos bairros de Pajuçara e Ponta Verde, atual área nobre da cidade, mas que já foi reduto de muitos dos pescadores, e que, como relata Sarmento (2002), recebeu grande parte de seu povoamento de pescadores que foram expulsos de seu lugar de origem para dar lugar às moradias das classes privilegiadas.
A Vila de Jaraguá, neste sentido, é apenas mais um exemplo de continuidade dessa higienização da orla maceioense. Desde a sua localização até sua expulsão, tudo é um reflexo deste movimento geopolítico de empurra daqui, tira dali, de submissão das populações pobres aos ditames do poder público e sua política de remoção, e inclusive de certos processos de grilagem  relatados pelos moradores antigos, quando a área era abandonada e utilizada por criadores de gado [...] Eles descrevem como as cercas foram se fincando e redefinindo o esquema de propriedade do local. [...] A despeito de ter aglomerado no seu interior pescadores oriundos de diversos estados, como Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, e de toda a costa do Estado de Alagoas, de Maragogi a Piaçabuçu, muitas famílias pesqueiras eram oriundas das ondas migratórias dentro da própria cidade ao longo de anos. Assim, vinham de bairros como Ponta da Terra, Levada, Trapiche, dentre outros. Há relatos de que a antiga balança teria sido onde hoje se encontra as Lojas Americanas, embora se observe que a aglomeração mais recente - remontando aos anos oitenta - inicia-se onde hoje se encontra o Memorial da República, em frente ao coreto, de onde se podia atravessar, no tempo dos banhos dominicais na praia da Avenida em direção à Pajuçara.
Essa configuração da comunidade de pescadores começa a sofrer investidas da Prefeitura, por meio de várias remoções, na gestão do então prefeito Fernando Collor (1979–1982), que retira grande quantidade de moradores e os realoca na zona de expansão da cidade, próximo ao posto da  Polícia Federal, cruzamento da BR 104 com 316, aglomeração que ficou conhecida como favela do DER. Outra grande remoção é feita pelo prefeito Ronaldo Lessa, para a construção do memorial acima citado e do estacionamento de Jaraguá, espaço urbano só utilizado em períodos de festas.
           Após estas remoções forçadas, a comunidade do Jaraguá se caracterizava como assentamento urbano subnormal, onde se acomodavam, em condições subumanas, cerca de 700 famílias, das quais de trezentas a quatrocentas eram de pescadores. A pesca era atividade mais antiga do bairro. A vila proliferou na medida em que as pessoas foram tendo filhos, os filhos foram crescendo, casando, tendo filhos, os filhos cresceram, casaram, os netos foram aparecendo,  a família crescendo, e os pais tiveram que construir novos barcos e novas casas para alojar os filhos crescidos e casados que se multiplicavam.
             Em 2001, época da remoção das 350 famílias para o Conjunto Carminha pela então prefeita Kátia Born, a  comunidade de Jaraguá era uma comunidade heterogênea. Lá  habitavam diferentes grupos populacionais, que ao longo do tempo foram ali se fixando, através dos processos de migração natural da atividade pesqueira e do processo social que impulsiona o  crescimento urbano. A favelização começara a partir dos anos oitenta, quando além dos atrativos  naturais do lugar e sua localização privilegiada no tecido urbano, alguns eventos de natureza política contribuíram para o crescimento desordenado e densidade populacional. O mais crítico deles foi a remoção de famílias sem-teto que viviam dispersas pela cidade, associado a famílias de desabrigados das chuvas torrenciais. Todos eles foram colocados na comunidade do Jaraguá pela  então secretária Lucíola Toledo, amontoados no armazém da antiga Cibrazen. Essas famílias  viviam de outros empregos e subempregos na região, como catadores de lixo, empregadas domésticas, guardadores de carro, ambulantes, atividades portuárias, atividades auxiliares da pesca, dentre outras.
No entanto, o armazém estourou, pois os barracos foram aparecendo em seu entorno, crescendo exponencialmente e adentrando a Vila de Pescadores. A comunidade passa então a
conviver com uma heterogeneidade cultural oriunda dessa migração forçada. Após a fixação dessas famílias, outros barracos com famílias estranhas à cultura da pesca foram se aglomerando próximo ao galpão da antiga fábrica.
A comunidade possuía arquitetura marcada por espaços de múltiplas funções, que ao mesmo  tempo serviam de oficina de trabalho (tratamento do peixe), lazer, varal para estender roupas, e ponto de encontro (bate-papo com as amigas e presença das crianças). O terraço poderia ser a  própria rua, e a frente da casa geralmente tinha várias utilidades e muitos jovens reunidos. Ali trabalhavam, se divertiam, conversavam, perambulavam, havia toda uma sociabilidade que  engendrava diversas atividades, muito embora a principal delas fosse a pesca.
               Essa, no entanto, era uma realidade desconhecida da maioria dos maceioenses, pois o bairro estava quase abandonado, e só voltou a ser o foco das atenções quando a prefeitura o incluiu no projeto de revitalização de centros históricos. Tal iniciativa começou a surgir nas principais capitais brasileiras, no sentido de resgate das atividades locais, mas também atividades artísticas, como foram os casos de empreendimentos na mesma ordem em centros históricos como  Recife, João Pessoa, Salvador, Porto Seguro, e São Luiz.
Então, nos arredores do cais do porto de Maceió, a cidade efervesceu como espaço de construção de bens materiais e vida comunitária. Mas até meados dos anos 1990, o que restava do bairro era velhos armazéns de exportação abandonados, ferrovias desativadas, praças depredadas e descaracterizadas, a vila dos pescadores favelizada, e apenas lembranças de um lugar que deu vida à cidade.
Como alternativa ao turismo de sol e mar, que cai na baixa temporada, a Prefeitura Municipal se empenhou no planejamento e execução do projeto de revitalização, como tentativa de diversificação da oferta turística, através do turismo cultural centrado no lazer, entretenimento e conservação do patrimônio histórico. Este projeto é lançado em 11/08/1995, no coreto da Avenida da Paz, pelo então prefeito Ronaldo Lessa, que será sucedido pela prefeita Kátia Born, esta última dando total impulso à continuidade do projeto no percurso de dois mandatos.
Antes disso, o jornal Gazeta de Alagoas de 08/06/1997 lançara um caderno especial em conjunto com a Prefeitura, no qual se anunciava o empreendimento como o mais importante  investimento público da época, que transformaria o bairro em um belo atrativo para a cultura, o lazer, o turismo, o comércio de serviços. Nessa publicação, a prefeitura destaca que o projeto acarretará uma grande demanda turística, atraindo o visitante de “renda mais elevada” e promovendo o aumento de sua permanência na cidade. Coincidentemente, trata-se de uma época de grande crise econômica no Estado e no setor sucroalcooleiro, e os usineiros são proprietários de grande parte dos armazéns e casarões de Jaraguá, além de investidores locais no setor turístico.
Consequentemente, são os principais beneficiados com a revitalização. Um dos primeiros passos do projeto foi a elaboração de leis que dividiram a cidade em Zonas Especiais de Preservação (ZEP), mais especificamente a Lei Municipal 4.545 de 22/11/1996. Com ela, Jaraguá ficou definida como ZEP-1. O Decreto Municipal 5.569, por sua vez, estabeleceu normas que garantiram a caracterização do bairro dentro dos padrões esperados, como a manutenção da tipologia construtiva e a volta do alinhamento das fachadas. Esse mesmo Decreto estabelece a Vila de Pescadores como Zona Especial de Preservação [...]
A linguagem do decreto não deixa dúvidas quanto à importância da Vila tanto do ponto vista  turístico, quanto do ponto de vista ambiental. Para gerenciar o projeto, é criada a Unidade  Executora Municipal/PRODETUR (UEM), através da Lei Municipal 4.487 de 27/03/1996. No relatório de atividades de março a dezembro/96, a UEM destaca o que chamou de “problema ambiental”, na antiga Vila dos Pescadores, localizada às margens do Jaraguá e caracterizada como favela.
Os objetivos básicos do PRODETUR/NE[10] eram: a criação de áreas turísticas, promovendo o incremento desta atividade no município; resgatar o patrimônio histórico/arquitetônico local, através de sua correta recuperação e revitalização; melhorar as condições de vida da população, através da provisão de serviços de saneamento; preservar os ecossistemas terrestres e marinhos do bairro; e melhorar as condições de acessibilidade à área de intervenção. Para tanto, a Prefeitura promoveu um amplo investimento de infraestrutura básica e serviços públicos (abastecimento d’água, esgoto sanitário, tratamento e controle de resíduos sólidos, vias de acesso) que potencializaram as atividades turísticas, com recursos da ordem de US$ 80 milhões, sendo metade financiada pelo BID, por meio do BNB. A outra metade seria a contrapartida dos poderes público federal, estadual ou municipal. Com novos investimentos e aumento da permanência dos turistas, a consequência esperada seria o aumento na geração de emprego e renda. Com isso, os poderes locais integravam a cidade na reprodução do capital através da atividade turística, como afirmou Vasconcelos [...]
O projeto de revitalização foi fragmentado em subprojetos, quais sejam: a revitalização de obras  físico-arquitetônicas, que incluíam a restauração do prédio da Associação Comercial de Maceió e  o Museu da Imagem e do Som; a despoluição do tradicionalmente poluído Riacho Salgadinho.  Acrescenta-se também a reestruturação do sistema viário da área interna do bairro, como o alargamento de pontes na Avenida da Paz, drenagem e pavimentação para evitar as tradicionais inundações na Avenida Cícero Toledo, parte da Rua Comendador Leão, Avenida Maceió, e as ruas Graciliano Ramos e Mato Grosso, além das margens do riacho Salgadinho. A Rua Sá e Albuquerque, via arterial do bairro, teve o asfalto negro quebrado até aparecerem as antigas pedras (os trilhos do antigo bonde que circulava não estavam no local). Postes de cimento foram retirados e substituídos; as fiações da luz elétrica e da telefonia ficaram subterrâneas. Houve a construção de um grande estacionamento na Avenida Cícero Toledo e a construção do Centro de Convenções, além da promessa da construção de uma marina e incentivo ao esporte e comércio náutico. O nono subprojeto desta mega intervenção seria a urbanização da Vila de Pescadores, conhecida como favela de Jaraguá.
O direcionamento do programa de desenvolvimento do turismo acabaria por não atingir as metas a que se propôs, mas não sem deixar as sequelas tradicionais do caráter excludente deste  tipo de intervenção gentrificadora, que, onde ocorre, ocasiona conflitos e exclusão das comunidades locais. [...] A revitalização do bairro de Jaraguá se deu no contexto da globalização do turismo, caracterizado por capitais transnacionais, projetos de grande porte e exclusão social da comunidade local. Assim, um dos principais problemas da revitalização do bairro de Jaraguá como potencialidade turística pode estar associado a um dado importante citado por Vasconcelos (2004) que é a capacidade de reordenamento do território para sua realização. Este autor explica que este reordenamento apresentou uma falha crucial, qual seja o esquecimento da potencialização de uma melhoria de vida para a comunidade local, fato observado não apenas pela remoção de 350 famílias da comunidade de Jaraguá em 2002, mas também no descaso frente às condições suburbanas da Vila dos Pescadores, até sua total remoção.
A condição de pobreza conviveu simultaneamente com a área revitalizada, em um flagrante contraste social, apesar de a Vila dos Pescadores ter sido considerada como Setor de Preservação  Ambiental (SPA) pelo Decreto Municipal no 5.569, de 22 de novembro de 1996. Com que ética se pode falar em leis, no âmbito do posterior processo jurídico da remoção, se o próprio abandono da  Vila, em condições degradantes, foi uma clara violação da própria lei municipal criada para fins da referida revitalização?

Na verdade, o próprio projeto de revitalização já focalizava em seu conteúdo as ações que deveriam ser executadas como parte do processo de turistificação do lugar. No projeto apresentado para aquisição das verbas do PRODETUR, estava incluída a urbanização da vila (no mesmo espaço onde as famílias viviam), que era o nono subprojeto, através da implantação do sistema de saneamento básico, coleta seletiva do lixo, energia elétrica, abastecimento d’água, pavimentação, drenagem, construção de residências térreas de sobrados, orçadas em R$ 7.919.000,00.  O projeto arquitetônico elaborado para isso em 1996/1997 incluía também a construção de um mercado modelo, estacionamentos, centro de convivência, cais, seca de pescado, escola de pesca, estaleiro, cooperativa de pesca, correios/telefone, praça, primeiros socorros, pontos comerciais, área de lazer e esporte, casa cercada por área verde, como coqueiros e árvores frutíferas, afirmando o princípio de autossustentação da comunidade.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Da rede do pescador nasceu o filé: histórias do Pontal da Barra, histórias de minha avó


Poliana dos Santos é historiadora, mestra na área de literatura pela UFAL/AL e doutora em História Social pela Universidade de São Paulo, sob a orientação de Marcos Silva.


Poliana dos Santos é um exemplo de vida e de como se aproveita a inteligência e seriedade que se tem. Jovem doutora pela Universidade de São Paulo retornou para sua terra e se reencontrou, nas raízes do PontL da Barra, com suas próprias raízes trançadas com a história de vida de sua avó, a partir de quem escreve este belo texto.
Campus agradece à gentileza da autora e deseja prestar uma grande homenagem às fileseiras e pescadores do Pontal da barra, através  desta mulher de força que é Angelita Lisboa dos Santos. Através de Poliana, a homenagem segue para a nova inteligência dos historiadores de Alagoas.

Um abraço

Material publicado em Campus/O Dia

Da rede do pescador nasceu o filé: histórias do Pontal da Barra, histórias de minha avó
Poliana dos Santos   


Dona Santa fazendo o filé, na época em que ainda se usava pau de mangue e palha

















As mãos de minha avó teceram o meu mundo, de menina e de mulher.  Sentada e curvada na calçada de casa, sozinha ou acompanhada de outras rendeiras, ela ziguezagueava na rede, presa ao tear, uma agulha fina e cumprida, fazendo curvas e dobras com a linha, preenchendo vazios, deixando espaços vagos à mostra, hesitando ali ou acolá, seguindo em frente. De suas mãos ágeis nascia o filé, um bordado, cuja complexidade e combinação de pontos formam um vivo colorido, de todos os tamanhos e contornos. Do seu quadro, surgem variadas espécies de flores, peixes, pássaros, canoas e personagens do nordeste: a dona de casa na janela, o carroceiro carregando leite, a vendedora ambulante com seu cesto na cabeça. Dessas pinturas feitas em linhas de algodão pode-se construir uma história da gente humilde, e o seu modo de ver o mundo. Mas também do filé se faz o vestido de casamento, a toalha de mesa e de centro, a saída de praia, a saia rodada, jogos americanos, almofadas, bolsas, brincos e colares. As mãos de minha avó criaram um mundo.
Este bordado de origem europeia, localizado em regiões de Portugal e da Itália, e que nos faz recordar de um Brasil ainda colonial, se estabeleceu nas comunidades pesqueiras e lagunares de Alagoas, como no bairro do Pontal da Barra em Maceió e nos municípios de Marechal Deodoro, Coqueiro Seco, Santa Luiza do Norte e Satuba. Foi no Pontal da Barra, faixa de terra entre a praia e a lagoa, que minha avó cresceu e passou a vida inteira. Lá casou, teve filhos, criou os netos e bisnetos, formou uma rede de solidariedade entre vizinhos, amigos e parentes. Com o filé, minha avó enchia o prato de comida, vestia meu pai e meu tio, comprava o material da escola para os filhos, levantou a sua sonhada casinha. Com o filé e suas mãos generosas, minha avó sustentou uma geração, criando possibilidades para que pudéssemos alçar voos e buscar outros destinos.


Nascida em 7 de janeiro de 1927, hoje com 91 anos, Angelita Lisboa dos Santos, ela tem nome de anjo, não fabrica mais o bordado. É a segunda mulher mais idosa do Pontal da Barra. Agora é contadora de história e de causos, relembrando a sua infância e aventuras, o casamento, a vida difícil e a luta cotidiana para aplacar a fome, cuidar das crianças quando adoecia. Sempre percebi que minha avó representava uma liderança na comunidade e na rua onde ainda moramos. Mulher autônoma, forte e cheia de bondade nunca deixou de ajudar a ninguém, todos a procuravam para pedir conselhos, socorro e para curar das enfermidades. Além de ter nome de anjo, as pessoas a chamam de “dona Santa”. Ela fazia milagres!
Mulher sábia, ela conhece várias ervas, chás e óleos curativos que nos receitava e apaziguava as nossas dores, quando a medicina legal não nos vinha em auxílio. Era a cidreira, o capim santo, a hortelã, a sambacaitá, a babosa, a jurubeba, o óleo de coco. É preciso lembra que, no início da formação do bairro, não havia posto de saúde, e o conhecimento da medicina popular era fundamental para a população pobre, sendo com frequência a única possibilidade de cura. Médico era raro na localidade, aparecendo em visitas esporádicas. Quando as mulheres entravam em trabalho de parto, era a dona Hortência que ajudava a “dar à luz”. Ela era a parteira do bairro, e morava em um lugar chamado Castelo Encantado, habitação bem sugestiva para quem fazia milagre e salvava vidas. 


Dona Santa também tirava o mau olhado. Ainda lembro quando algumas mães, com os seus filhos recém-nascidos no colo, apareciam em fila na sua casa, a fim de que ela os livrasse dos olhos invejosos e alheios, que deixavam os meninos febris e abatidos. Sua cura consistia no Pai Nosso e numa reza, realizada antes do pôr do sol, e que poderia ser repetida três vezes, durante o dia. Sua oração era sempre acompanhada de alguma planta, um talo com folhas, que Angelita passava de relance e cruzava sobre o corpo da criança. Acreditava que o olhado maldito recaia sobre o vegetal, que após o fim da sessão ficava murcho. Ela me dizia que qualquer “pé de mato” servia, mas gostava mesmo era do pinhão roxo. Uma vez me revelou o segredo da cura, deixando que eu registrasse numa folhinha:

Pai nosso

Deus te gerou, Deus te criou, Deus te acanhe quem te acanhou
Olhos malditos, olhos matador vai para riba de quem te botou
Com dois te butaram, com três eu te tiro, com o poder da Virgem Maria
Se butar na formosura para que não me diria, que eu te curaria com o poder de Deus e da Virgem Maria
Se tiver olhado na tua formosura, no corpo, no cabelo, na boniteza, na esperteza, na gordura, na tua vida para que não me diria, que eu te curaria com o poder de Deus e da Virgem Maria
Vai para riba de quem te botou

Deus é o sol, Deus é a lua, Deus é a claridade, Deus é o homem de verdade
Salve e sã cure essa enfermidade


Assim como o filé, dona Angelita aprendeu o benzimento com a sua mãe Regina e as suas irmãs. Teve 17 irmãos, vivo hoje apenas cinco. Sabia de outras benzeduras, para o tratamento do mal do monte, conhecida como erisipela; cobreiro, a herpes-zóster; e a espinhela caída, uma dor que dava nas costas, pernas e estômago, causando cansaço. Mas nunca precisou sanar essas doenças, por isso acabou esquecendo como se reza. Minha avó não cobrava um centavo para sarar os pequeninos enfermiços, pois milagre não se paga, era presente divino.
Além de trabalhar no filé e benzer, dona Santa teve outras ocupações. Foi quitandeira, vendendo no outão da residência verduras e frutas: laranja, banana, cebola, tomate, pimentão, melancia, coco, cenoura etc. Foi com o dinheiro do filé que conseguiu montar a quitanda, indo sozinha, todos os dias, ao Mercado da Produção para comprar os alimentos. Ademais, lavava roupa de ganho, quando o Pontal da Barra só tinha um chafariz. O tempo apagou os rastros da cortina d’água, em seu lugar há várias lojas de artesanato, como AlaJosé. Carregava a roupa suja, enrolada num pano, em cima da cabeça, e seguia pela rua de barro até a fonte. A vida não era fácil! Às vezes, a única coisa que tinha para “encher o bucho” era um bolo de farinha, feito com água e pimenta. Tal mistura era conhecida como “cabeça de galo”. Nem sempre “a lagoa dava para peixe”, como diz um ditado popular; e era preciso se virar como podia.
Naquele tempo, a casa era de taipa coberta de palha de coqueiro e se dormia em esteiras. O fogão era improvisado com quatro forquilhas de mangue, onde se punha varas de madeira e palha seca. Cobriam-se tudo de barro. Nesta superfície se colocava tijolo batido, importante para sustentar a grelha. Entre os tijolos ficava a lenha. E pronto, já se podia cozinhar! As roupas eram lavadas em gamela de madeira. Conta meu pai, que na infância, minha avó improvisou dois colchões para ele e meu tio. Ela tomou sacos de aniagem de farinha de trigo, pego na padaria do seu Jorge, e encheu de “capim da praia”. A dormida no início era difícil, porque o capim era duro e espetava! Mas depois foi se acostumando e até “dormir ficou gostoso”. O seu Jorge distribuía o pão para todo o bairro e para as bandas de Barra Nova e Santa Rita. O pão era levado em uma canoa a remo.   
Da meninice de Angelita, conheço pouca coisa. Teve uma infância pobre, seu pai era pescador e sua mãe, vinda de Pernambuco, trabalhava em casa e no filé. Sei apenas que, à noite, chupava o dedo para esquecer a fome e lograr dormir; que cuidava das irmãs mais novas e brincava com a conca do coqueiro, era a sua boneca. Não gostava de estudar, e passava as aulas, que assistia na Colônia de pescadores, penteando o cabelo da professora. Era assim que conseguia escapar das tarefas.
Nas décadas de 1930 e 1940, o bairro do Pontal não se apresentava, como agora, um consolidado centro de comércio e de artesanato, organizado em tendas enfileiradas e paralelas à rua, onde se vende todos os tipos de bordados e de rendas, enfeites, lembrança e utensílios. É interessante que muitas dessas lojinhas correspondem à frente ou entrada da habitação de rendeiras e de pescadores, sendo uma adaptação de parte da sala de estar. No fundo, se mantém os quartos, a cozinha e um pequeno quintal. Nessa área central de negócio, podem-se encontrar pequenos mercados, restaurantes, lanchonetes, sorveterias e uma pousada. Há tendas especializadas em doces e bebidas regionais. Os vendedores ambulantes de milho e picolé também circulam pelas ruas atraindo os turistas com o seu pregão. Mas esse formato não foi por vida assim!
No começo, havia poucas casas, dispersas aqui ou acolá, e não existia estrada asfaltada e nem residência a beira da lagoa. Tinha uma Igreja Católica, mercearia e bodega, delegacia, a Colônia de pesca, um cemitério e o chafariz. Atualmente só resta a igrejinha, localizada na Praça São Sebastião e a Colônia de pescadores. O abastecimento do local vinha do Mercado da Produção, na Levada, onde hoje se encontra o Mercado de Artesanato. Havia muitos brejos, mangues e dunas na região, que aos poucos foram sendo ocupados. Diziam os moradores antigos, que o Pontal era terra de índio e cigano, e de gente de origem holandesa, vinda de Marechal Deodoro. Os homens daqui eram considerados valente, havendo vários conflitos entre as famílias no local. No tempo de mocidade de minha avó, não existia transporte público. O povo andava a pé até o Trapiche, aonde pegava o bonde. O deslocamento era feito igualmente de canoa, pela beira da lagoa. As rendeiras faziam grandes caminhadas para comercializar o filé no cais do Porto, em Jaraguá. Elas subiam na sacada do navio, com autorização do comandante, e vendia os bordados para os turistas. Aos poucos o comércio foi expandindo, e o tecido também passou a ser vendido em lojas e hotéis, e foi sendo levado para os Estados vizinhos, como Pernambuco. Havia igualmente mercadores que iam diretamente ao bairro com objetivo de fornecer os materiais de confecção, principalmente todos os tipos de carretéis de linhas; outros negociantes lá chegavam para comprar e revender a costura para fora.    
Antigamente, quando não se conheciam a indústria dos novelos coloridos, as mulheres tinturavam os rolos de linhas com o colorau, a palha da cebola, a bucha do coco, a corpuna, a salsa da praia. Destas matérias-primas se tiravam várias cores: o beje, o amarelo, o marrom e o roxo. Todo o processo e a arte do filé eram feitos de forma manual e passados de mãe para a filha e netas. Era um trabalho especificamente feminino, mas com o transpor dos anos e a necessidade econômica, alguns homens foram aprendendo a bordar, tornando-se verdadeiro artífice na arte.
Dona Santa casou, em 1945, quando tinha 17 anos. Seu marido José Pedro dos Santos, conhecido como Zé Sofia, tinha 45. Eles tiveram cinco filhos, mas três morreram ainda criança, de causas desconhecidas. Os dois sobreviventes, ainda vivos, são José Pedro dos Santos Filho e Napoleão José dos Santos, meu pai. Zé Sofia era pescador muito sabido, vindo da Serra da Nasceia, no município de Boca da Mata. Conta minha avó, que ele falsificou os documentos e as testemunhas para se casar sem autorização dos pais dela, visto que era menor de idade. Ele chegou a fazer uma carteira de identidade para dona santa, com a data de nascimento falsa, a fim de que ela se apresentasse mais velha. Além disso, levou pessoas para o cartório, no dia do casamento, para se passarem pelos pais de minha avó.
 Foi Zé Sofia quem fundou, em 1930, junto com o mestre Aminadab, o famoso fandango do Pontal, que mesmo hoje encantam velhos e crianças, sendo apresentado especialmente em datas comemorativas e religiosas, como a festa de São Sebastião e o Natal. Estas celebrações eram as mais importantes do local, vindo depois o festejo de São João, em que se dançava a quadrilha, o coco, a chegança e a baiana. Com respeito ao fandango, é um auto de temas marítimos, não possuindo uma narrativa linear. São danças e cantigas que corresponde à marujada, à barca e à nau Catarineta. Tratam das peripécias e dos sofrimentos dos navegadores portugueses. O fandango é composto de mestre, contra-mestre, padre, médico e os marinheiros, todos com uniforme da Marinha. Os passos são cadenciados ao som da orquestra de corda (violão, cavaquinho e viola).
Mas Zé Sofia tinha outras habilidades. Era também conhecido por suas poesias e improvisos, cantando em desafios e provocações que, amiúde, motivou confusões e brigas. Uma vez, o bairro do Pontal da Barra estava em plena animação com a chegada do carnaval. As danças, cantigas, fantasias, serpentinas e confetes se espalhavam pelas ruas, contagiando os moradores. A alegria, porém, estava dividida entre dois clubes carnavalescos: a Ciganinha, do Pontal de baixo, e o Machado, do Pontal de cima. Ao anoitecer, as duas partes marcharam festivas uma em direção à outra, para cruzarem os estandartes. O grupo do Machado, comandado por Zé Sofia, dizia que não encruzava; o líder do grupo rival respondia: “eu encruzo”. E nessa contenda eram compostas charadas para debochar do grêmio adversário. Numa dessas, Machado sai vencedor, dando início a um conflito com pau e faca. Dona Santa recorda desse momento, e guarda em sua memória um fragmento da cantiga do esposo:

Achou melhor vá pra casa se deitar
Para depois não sair envergonhado
Sem ter jeito para dar.

José Pedro não era somente pescador, trabalhava como carpinteiro, construía casas e fazia canoas. Mas o que ele gostava mesmo de fazer era compor poesias e rimas. Meu pai gravou na memória muitas de suas cantigas, que era ensinada insistentemente pelo meu avô nas horas de folgança. Os temas eram variados e se apresentavam na forma de pequenas narrativas. Eles falavam do ébrio, da traição sofrida por Jesus Cristo, do amor de mãe e da importância da mulher. Contava igualmente sobre a valentia, a pobreza e ambição dos homens por riqueza. Quando se tornou evangélico, Zé Sofia começou a compor hinos. A ele também é atribuído à fundação da primeira igreja protestante do bairro: a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Seguem alguns de seus poemas, declamado por meu pai.

Oh Jesus, meu redentor
Do alto céu infinito
Abençoe os meus escritos
Com vosso divino amor
Leciona o trovador
Com a divina inspiração
Para que vossa paixão
Seja desfeita em clamor
Desde o início da dor até a ressurreição

Dentro do livro sagrado
São Marco em perfeição
Nos faz a revelação
de Jesus Cristo crucificado
preso e arrastado,
Cuspido pelo Judeu
Pelo apóstolo do seu
Covardemente vendido
Viu-se amarrado e ferido
Nas cordas dos fariseus

Diante prediz o senhor
Meus discípulos me arrodeiam
E todos comigo ceiam
Mas um me é traidor
Sobre a mão do pecador
Meu corpo pro sepulcro vai
Porém, eu vos digo mais
O homem que por dinheiro
Transformou-se em traiçoeiro
Contra os filhos de Deus faz
      
Ouvi um ébrio dizer
A vida não vale nada
É uma triste jornada
Que podemos fazer?
Estou farto sem beber
Quando era ressecada
Uma cerveja gelada,
Um vinho a cana pura
É a única aventura
De uma vida desgraçada
                *
Entrei numa catedral
Roubei um grande tesouro
Um colar e muito ouro
E penso que não fiz mal

Pra que santo quer metal
Construir tanta riqueza
Aonde vagueia a pobreza
E a miséria consome
Onde um pobre morre de fome
Olhando e vendo a riqueza

Esta história não é minha
Mas também não é areia
Não é grande não é pequena
Não é toda não é meia
Não é certa não é à toa
Não é ruim não é boa
Não é bonita e não é feia.
            
Quando meu avô faleceu em 1972, dona Santa tinha 42 anos, meu pai havia entrado na polícia e o meu tio já trabalhava na prefeitura. A vida de bonança, que se prometia, deixava para trás uma história de fome e dificuldades. Minha avó não quis mais casar, continuou fazendo o filé e ajudava agora na criação dos netos. Conseguiu se aposentar como rendeira, mas não parou. Ainda velhinha e com dificuldade de locomoção, com os seus 89 anos, eu a via sentada no sofá de casa, fazendo rede para vender. Trabalhava por gosto, por amor e para comprar o pão.
Uma vez me falaram que o filé nasceu da rede do pescador e foi se adaptando. É uma sabedoria popular, de quem reconhece que, no Pontal da Barra, a fiação é a base material da existência. Mas é igualmente uma rememoração e uma referência à simbologia religiosa da criação –, “da costela de adão, nasceu Eva”. Uma alusão que explica a organização patriarcal daquela comunidade. Vale dizer que os fios tramados não pescavam somente peixes, elas teciam sonhos e esperanças, coloria uma vida acre, punha os filhos na escola e abastecia a casa de alimento. O filé trouxe, do mesmo jeito, a independência feminina, pondo em tensão o universo masculino dominante. Minha avó nunca aprendeu a ler, apesar de saber soletrar todo o alfabeto. No entanto, ela tinha o dom de outras leituras e escritas. Escrevia com a linha, o seu caderno era o tear e os seus lápis, as agulhas. Contou a sua própria história e vendeu para o mundo; sua narrativa foi levada pelos navios, conheceu os mares e pisou em outras terras... As curvas e as formas que os fios do bordado tramaram, com os seus pontos cegos e entrelaçamentos, seus altos e baixos, seus acabamentos, narraram a vida de Angelita, marcaram a sua biografia. As mãos de minha avó me ensinaram tanto! Mãos hoje magras, atrofiadas e encolhidas, cheias de história e cheias de amor.
Obrigada dona Santa, por me ensinar tanto!   










sábado, 26 de maio de 2018

Maceió e um pedaço do seu amanhacer


Estas são fotografias feitas por José Robson Leite Moreira, um artesão que mora no Trapiche da Barra e que, em suas andanças, procura  e  documenta a cidade à qual pertence. Anda e fotografa e desta vez foi conversando com o amanhecer. O que falam as fotos para vc? Como vc poderia dialogar com elas? 

São muitas as formas de termos um diálogo com a cidade e às vezes, até mesmo buscando o pequeno mundo das formas que se perdem, por exemplo, na vastidão das areias... Às vezes, encontrando os homens buscando a vida pelo trabalho... Às vezes, na luz da manhã batendo nos coqueiros ou na própria cidade...

Todos nós temos encontros permanentes, estranhamentos e espantos diante daquilo que está em nossa frente. Todos nós vivemos a guarda de frações de segundos de emoção, sensações. Muitos documentam  e dividem suas emoções, como é o caso deste artesão com suas belas fotos.

THE BEACH, THE DAWN AND THE CITY
 LA SPIAGGIA, L'ALBA E LA CITTÀ  
(Enseada Praia de Pajuçara)
O mar, sem egoísmo, reflete a luz do sol como uma oferenda prateada! (JRLM)

 (Começo da Enseada da Pajuçara, ao lado do cais)
O vazio não é solidão, é a ausência do ego, é a essência do "você mesmo" sem paixões e artificialidades, é a pureza da alma, é o "ser autêntico", é a natureza funcionando em você. você o sol e sua sombra são três.(JRLM)
 
( Praia do Sobral)
Observe o mar  como exemplo, se o mal tentar contaminar sua alma regurgite-o. (JRLM)

 (Praia Sobral, emissário submarino)
Mergulhe com o olhar e o deslumbramento, assim se organiza pensamentos, gerencia emoções, aprimora virtudes, daí retribua. (JRLM)

Praia do Sobral: O amanhecer pousando em te, afague-o! (JRLM)
(Enseada Praia de Pajuçara)
O mar, sem egoísmo, reflete a luz do sol como uma oferenda prateada! (JRLM)


Pescadores puxando, metro a metro, sonhos e esperanças! (JRLM)