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sexta-feira, 18 de março de 2016

Banco de Imagem. Cássio Júnior Ferreira da Silva. Aldeia Fazenda Canto






Brazilian indians, Indiens du Brésil, indiani brasiliani, Xucuru-Kariri, Fazenda Canto, Palmeira dos Índios, Alagoas




Estudante de história e colaborador do blog 



Galeria de fotos da Aldeia Fazenda Canto

Cássio Júnio Ferreira da Silva


A entrada do aldeamento

 
A Igreja do aldeamento
As fotografias a seguir mostram alguns dos principais pontos da aldeia indígena Fazenda Canto, pertencente ao povo Xukuru-Kariri, logo na entrada principal e única acessível por carros, temos uma placa que indica a presença do programa ‘ minha casa minha vida’, na aldeia.  Localizado em um dos pontos mais altos temos um templo da igreja católica;  quanto às moradias em geral, são casas de alvenaria de pequeno e médio porte e contam com água encanada inclusive com um pequeno sistema de tratamento de água, entretanto este sistema comtempla apenas uma pequena parcela da população. A outra parte da população que não é comtemplada com a água boa para consumo faz uso de água das nascentes localizadas na aldeia; temos ainda como recurso hídrico, uma barragem de grande porte que todavia esta consideravelmente abaixo de seu nível normal devido ao longo período de estiagem.


Rua do aldeamento


A aldeia conta ainda com posto de saúde para primeiros atendimentos, uma escola que dispõe de ensino fundamental e médio, um posto indígena da FUNAI, uma casa para fabricação de farinha que é de uso comunitário, e, como falado no inicio do texto, a comunidade foi contemplada com 50 casas do programa ‘minha casa minha vida’ que atualmente estão em construção; temos ainda um campo de futebol onde ocorrem jogos todos os domingos.
Tratamento d'água
Existe ainda uma área de retomada do território tradicional Xukuru-Kariri; temos algumas construções como uma oca que é utilizada para dançar toré em algumas ocasiões, as moradias nessa área são de taipa, e como principal prédio temos a ‘casa da resistência Maninha Xukuru-Kariri’ símbolo de luta e local utilizado para a reunião da associação de moradores todos os primeiros domingos dos meses, também é possível evidenciar uma produção agrícola cultivada de forma agroecológica. 

Posto de Saúde

Escola de 1º e 2º Graus

Açude



 





Minha cada, minha vida

O campo do futebol

A dança do toré

Casas na retomada

Casa de farinha comunitária

Trabalho na agricultura

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Alagoas: Palmeira dos Índios em revista

City. History. Architecture. >>  Cittá Storia. Architettura >> Cité. Histoire. Architecture.


Casa de Graciliano Ramos


PALMEIRA DOS ÍNDIOS: a glória de um passado registrada em tijolo

Luan Moraes dos Santos
Estudante de história
Todas as fotos são de autoria de Luan Moraes dos Santos



As fotos que você vê, caro leitor, são de pontos importantes de Palmeira dos Índios, cidade do interior de Alagoas que gozava, outrora, de um considerável crescimento econômico e urbano. Começamos pela suntuosidade da Catedral Diocesana com suas delicadas feições, com o piso liso feito de mármore cortado em pedras pequenas e grandes como se fossem ladrilhos irregulares e seu altar de onde facilmente podemos enxergar os doze apóstolos esculpidos demostrando diferentes posições. Ao centro está Nossa Senhora do Amparo a padroeira do Município.
Logo ali, no centro de Palmeira dos Índios, bem próxima a Catedral encontramos a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída por negros que não podiam acompanhar as missas na matriz. Pequena, mas de aspecto agradável, hoje é a sede do Museu Xucurus, fundado pelo curioso e literato Luiz B. Torres e Dom Otávio Aguiar, primeiro Bispo de Palmeira dos Índios. Também temos estabelecimentos comerciais que preencheram os antigos prédios de outros estabelecimentos, como não admirar o edifício da OAB em tempos onde as construções são tão comuns? E as casas de diversas formas, com suas fachadas enfeitadas com detalhes ondulados, quadrados, triangulares como um bolo coberto com chantilly que toma forma de acordo com a expressão e sensibilidade de seus confeiteiros?
Enfim, resquícios de um passado que os comerciais e propagandas, inutilmente, escondem. Memórias de um passado de luxo gravadas no concreto que duram, as vezes não tanto quando desejamos. 


A Catedral Diocesana
Prefeitura Municipal

OAB em Palmeira dos Índios

Residência em Palmeira dos Índios

Posto Indígena Irineu Santos

Hotel Comercial

Comércio

Cristo do Goiti
Catedral
 
 
Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Cássio Júnior Ferreira da Silva. Memória e cotidiano. Padre Ludgero Raaijmakers e sua atuação na aldeia indígena Fazenda Canto





Padre Ludgero Raaijmakers
e sua atuação na aldeia indígena Fazenda Canto

Cássio Júnior Ferreira da Silva
Estudante de História

De inicio, é importante ressaltar que o padre não teve atuações apenas entre os Xukuru-Kariri; em meio a alguns feitos atribuídos ao padre Ludgero estão a celebração da primeira missa e criação da primeira escola no povoado ‘Bola’ e, ainda, a sugestão de mudança do nome para ‘Estrela’. Posteriormente o povoado foi emancipado e tornou-se a cidade de ‘Estrela de Alagoas’. Neste  artigo, vamos nos deter em sua intervenção na aldeia Fazenda Canto, localizada em Palmeira dos Índios-AL.
     
O padre Ludgero Raaijmakers foi um sacerdote holandês que teve contato com os Xukuru-Kariri através do padre Alfredo Dâmaso; essa relação teve inicio ainda nos primeiros anos da formação da Aldeia. Mesmo não sendo membro do Serviço de Proteção aos Índios-SPI na Fazenda Canto,  o padre era altamente influente e por um bom tempo teve o apoio de grande parte da população. Entre suas obras temos a construção da igreja da Aldeia, obra que permanece de pé até hoje; mas, entretanto,  parece-me um escombro, uma vez que hoje são raras as cerimonias celebradas no templo. Isso fica claro na fala de Maria do Amparo da Conceição,  criança quando o padre atuou na Fazenda Canto:  Ele fez uns três anos seguidos a festa da santa, da nossa senhora aparecida [...] ele vinha pra missa nas sexta-feira e nos domingos e voltava, ele morava na cidade, tinha missa as primeiras sexta do mês e todo domingo.

A fala nos permite evidenciar a mudança drástica na ação da igreja católica dentro da aldeia, hoje de fato existe um apoio do Conselho Indigenista Missionário-CIMI na luta pelo território tradicional Xukuru-Kariri, mas cerimonias católicas são raras. Outra obra extremamente importante foi a construção de uma casa de alvenaria onde passou a funcionar a escola, que há alguns anos estava parada devido a má gestão: Criou uma escola na época era um grupo escolar, eu estudei nesse grupo, eu meus irmão a gente estudou no grupo feito pelo padre ludugero (sic.) [...] e eu na época eu era criança, e ele fazia muitas brincadeiras né,  fazia o pastoril a gente ia se apresentar na cidade [...] era uma turma de criança que dançava o pastoril ai tinha a rainha do azul e a rainha do vermelho, a gente achava bom que era brincadeira, a gente ficava na rua – cidade – assim por uma semana na casa dos amigos dele, se dividia sabe? Cada casa duas, três. 
 
O Padre é o terceiro da esquerda para a direita


Além de viagens para apresentações do grupo de pastoril, o sacerdote promovia excursões com a finalidade de lazer para os alunos,  como relatam alguns anciões ao falarem que a única vez que viram a praia foi em uma viagem para Maceió com as professoras, organizada pelo padre. Seguindo as obras feitas pelo padre temos a energia elétrica que em um primeiro momento era apenas na igreja por meio de gerador, que melhorava muito o uso do templo no período noturno, e posteriormente passando a existir uma rede elétrica,  o que permitiu, além da igreja, as moradias da Fazenda Canto terem acesso à luz elétrica: Primeiro era um motor a óleo, daqueles que puxa uma corda pra ligar ai só era na igreja àquela luz bem fraca [...] colocou energia elétrica que não tinha, não sei como ele conseguiu, mas foi no tempo do padre ludugero (sic.) que a energia elétrica chegou até aqui a nós, primeiro era quatro poste lá naquela igreja lá em cima ai começou lá.

As benfeitorias do Padre Ludgero se estendem nos relatos dos anciões da Fazenda Canto como, por exemplo, auxílio em casos de problemas de saúde em que a medicina tradicional indígena ou mesmo a local de Palmeira dos Índios se mostravam ineficientes; há relatos em que ele levou moradores para Maceió para receber assistência medica. Os moradores lembram o sacerdote com muita gratidão, devido a cestas básicas que ele doava.  É importante ressaltar que as doações foram feitas em uma época em que a população passava por extremas dificuldades de subsistência,  porque a aldeia era recém-formada, estava em sua primeira década e existiam sérios problemas para a aquisição de sementes;  e mesmo quando eram compradas,  o SPI com seus problemas de administração as mandavam para a aldeia em um período improprio para o plantio: Essa cesta básica foi muito útil aqui pra gente, porque na época aqui não vivíamos como hoje era tudo mais difícil, e dizem que vinha da Holanda essa cesta básica, e era muita coisa, muito alimento era o arroz, o leite, fubá de milho e também tinha a massa de trigo que ele trazia só que a massa ele dividia assim com um senhor que tinha uma padaria, ai negociava com ele, ele ficava com a metade e a outra metade fazia o pão pra gente. 


Posterior a esse período o padre criou duas hortas que segundo os moradores eram enormes; os trabalhadores dessa horta eram índios Xukurus-Kariri que recebiam por seus serviços prestados: Ele fez duas hortas, ele colocou trabalhador daqui mesmo pra trabalhar [...] a verdura ele levava para o CEASA em Maceió e ia de dois carros cheios de verduras, também colocou um roçado muito grande de feijão, eu não sei o destino da lavoura só sei que muita gente trabalhou

E foi justamente à criação dessas hortas,  uma das   razões da saída do padre da Aldeia Fazenda Canto; segundo informes,  ele tinha total apoio do SPI, mas,  com a extinção do órgão e criação da Fundação Nacional do Índio-FUNAI, o padre não tinha mas o amparo do órgão cuidador da Aldeia; somado a isso, um dos grupos familiares do povo Xukuru-Kariri, entendeu que o padre estava explorando a terra indígena, sendo feitas denuncias que resultaram no afastamento permanente do padre. 

        Para concluir é necessário falar que não me cabe fazer juízo de valor sobre as atitudes do padre de fato ele ajudou muitas pessoas assim como cometeu erros, entretanto prefiro deixar a história em aberto para que você caro leitor tire suas próprias conclusões.