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domingo, 27 de julho de 2014

Luiz Sávio de Almeida. Maceió, um sábado de outubro de 2005 na Rua Barão de Maceió

Segunda-feira, 19 de dezembro de 2011




















O texto sobre as fotografias está da forma como foi redigido em campo,  logo após ter sido tirada a foto ou depois, à noite, quando as imagens do dia eram repassadas. As fotos foram tiradas para posterior comparação. Infelizmente perdemos as anotações de visada e coordenadas. Na verdade,  a fotografia está sendo usada para realizar uma espécie de etnografia urbana, tentando captar cenas do cotidiano de diversos pontos de Maceió, além de montar uma série de imagens que na certa ajudarão,  no futuro, a quem desejar estudar a cidade e sua vida.



As anotações, desta feita, foram realizadas sobre os entornos da Praça Deodoro.












Esta é a rua Barão de Maceió. Ao fundo, a Igreja de São Benedito e à esquerda, a Secretaria de Educação. O primeiro plano do prédio, foi o Colégio Estadual. A Igreja de São Benedito tem uma curioso cemitério em seus fundos. É um quintal de nada, onde os mortos se apertam. O engraçado é que, por muito tempo, ela costumava receber velórios. Estamos diante de um interessante São Benedito dos Mortos. Ali existia uma Irmandade. Quem fazia ponto no local era um grande amigo meu: Celestino.  Ele era Babalorixá e tinha terreiro no Jacintinho.



Esta foto é extraordinária. É interessante ver o majestoso do Teatro como pano de fundo para uma quase angústia urbana. A carrocinha se imprensa e a  preferência do ônibus é magnifica: ele toma a rua. A rua é do povo? O ciclista quem vem à direita, começa a acautelar-se e um cara, bem lá no fundo parece conversar com o motorista. Haja Maceió nesta foto! Sinto-me perfeitamente em casa.








Manoel Correia de Andrade me dizia que somente havia tido uma amante em toda sua vida: Penedo. Uma cidade pode ser amada, até mesmo pela forma como se faz pecadora. A Secretaria de Educação ocupa o que era o Colégio Estadual. Ela está ao fundo e, em primeiro plano, o ginásio de esportes. O incrível é a linha da pobreza ancorada na calçada, cada qual com seu bagulho, cada bagulho com seu vintém, cada vintém  com seu pão. Mas de tudo de tudo que a foto contém, o que me chamou mesmo a atenção foi a carrocinha pobre e vazia, quase sem dono e absolutamente sem nada.  É um fantasma de vida ou é a ida que não pode existir sem fantasmas?
Para onde vai esta mulher? O preto é de viúva? Ainda se usa o luto ou isso se acabou, com os defuntos sumindo rápido, correndo das solenidades dos vivos?  Ela e a filha com um desconcertante diadema a quebrar a harmonia dos diversos cinzas? O que eu poderia dizer a ela? Que sua cor é bela? O que se pode dizer a uma mulher que anda com a filha? Com certeza, seria possível um bom dia!

Eu estou olhando para a praia; ela não aparece mas existe. Então, numa foto cabe o que não se vê?   Está aí uma cena raríssima: a Barão de Maceió vazia de carros, como se o sábado reconhecesse ser dia de descanso. Note-se o contraste do teatro com seu entorno e a forma dele pedir para que o mundo olhe para ele. Haja sonho para a burguesa tupiniquim do tempo de Euclides Malta.


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