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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Luiz Sávio de Almeida. Um pingo do rio Sao Francisco

texto sobre as fotografias está da forma como foi redigido em campo,  logo após ter sido tirada a foto ou depois, à noite, quando as imagens do dia eram repassadas.



Um pingo do rio Sao Francisco

 Foto 1

      Este é um grande amigo. É o  Professor Dr. Chico, alergologista e Diretor da Faculdade de Medicina. Como todo e qualquer mortal, tem preguiça e caiu no sono, perdendo a beleza das margens, durante a segunda Opara ou Racha. Quem dorme não vê, mas Francisco sonha e é um poeta. É capaz de fazer muitos rios em sua cabeça, mas o rio São Francico, na certa, salvo absoluta magia, ele não está vendo. Ele nasceu na beirada do rio, lá  em cima para mais oeste. É um sertanejo. Escuto que não  se formou em Maceió. Foi para São Paulo e retornou.  Algum dia, pensava em dormir viajando, calçando sandálias de pescador? Somente quem sabe, é o meu amigo Francisco.  Depois eu conto o que ele fez comigo, por conta de uma vacina contra a gripe. Um homem que escapa dos atchins da alergia e escreve poemas, é, sem dúvida, um iluminado.


Fotos, 2, 3 , 4
Nem precisa comentar. A canoa é a mesma do meu tempo de menino. A vela tem o mesmo formato, mas não  é a mesma canoa e nem a mesma  vela. E nem o mesmo vento, no que basta olhar para o motor de rabeta.
Foto 5 
Quem reconhece a força das águas do rio?  A âncora? Ela seguramente segura com segurança. Mas a âncora nçao decide, ela é mandada e esta é uma âncora quatridente e singelamente repousando.  Parece que entre navegar e ancorar, a diferença é pouca. E se eu jogasse a âncora agora, o que aconteceria? Não sei. Deveria saber?


Foto 6
A escada é diferente da âncora. A escada fica sobre o azul e branco, enquanto a âncora fica sobre o verde. Ninguêm é capaz de subir e descer pela a âncora. Pela escada pobre. A escada é um caminho feito por duas ladeiras: uma que é subida e outra que é descida.
Foto 7
Já subi e desci o rio nesta barca. É a Zanata. O pessoal é gente fina, mas nunca vi tanta barata dentro de um barco. Saí do salão, pois não aguentava e fui dormir aí em cima, enrolado em um lençol velho ou, melhor dizendo, histórico. O  vento batia mesmo, mas me livrei do que poderia ser um baraticídio.

Fotos 8, 9

Eis a cara da Penedo, a mui leal e valerosa Vila. Quando eu era menino, cantava-se:
Penedo vai,
Penedo vem.
Penedo é terra
De quem quer bem!

Não esqueço de uma música que cantavam lá em casa. Parece que o compositor morava na Rua da Penha, numa casa verde.

Lindo berço dos poetas
E das artes sublime inspiração...
Do São Francisco és a Princesa
Cidade amor Penedo!
Esta, também, é a formosa Rua da Praia, montada com algodão e gado. Lá está o Hotel das vedetes.


Fotos 10, 11, 12
Os povos andam nas águas; todo mundo que mora nas beiras do rio, tem que ser anfíbio. Quem não nada como peixe e jacaré,  anda de alguma forma nas águas. O que pensam estes menino pendurados na janela? O que eles vêm? Sera que adivinham o fato de que não somos daqui? Eles andam na Valéria. Eu penso que Valéria deve ser filha ou esposa do dono da lancha.

 
Fotos 13, 14
 Esta é a minha velha e conhecida Carrapicho. Fica quase em frente a Penedo. Menino, eu brincava com os bois de barro que faziam no Carraócho, como as meninas brincavam com as panelas. Depois, fui diversas vezes, subir a ladeira, entrar nas casas pobres dos artesãos que moram ali, É interessante o monumental da Igreja, a bes casa a fazer uma das  esquinas da rua da ladeira. Contrastam e muito, com a sujeira do barro, os pés rodando o torno, os dedos fazendo formas do que era nada.


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