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sábado, 26 de julho de 2014

Luiz Sávio de Almeida . Maceió: cenas da Moreira Lima. Sábado. Outubro, 2005

Domingo, 18 de dezembro de 2011



O texto sobre as fotografias está da forma como foi redigido em campo,  logo após ter sido tirada a foto ou depois, à noite, quando as imagens do dia eram repassadas. 
As fotos foram tiradas para posterior comparação. Infelizmente perdemos as anotaçõs de visada e coordenadas. Na verdade,  a fotografia está sendo usada para realizar uma espécie de etnografia urbana, tentando captar cenas do cotidiano de diversos pontos de Maceió, além de montar uma série de imagens que na certa ajudarão,  no futuro, a quem desejar estudar a cidade e sua vida.




A rua se transformou em um imenso espaço de tudo e de nada. Acho que alguns já estão arrumando a carga. Quem desejar ver o passado nesta foto, olhe para cima e terá a sensação de como a cidade poderia ser linda, não fosse o modernoso que a invadiu. Para sentir, basta deslocar a vista para o lado esquerdo. Mas eu então fico perguntando sobre o que poderia ser considerado como a arqueologia da rua, como se tivesse o tempo soterrado em cima e deixasse o novo aberto embaixo. Parece que estou nas mãos de um tipo inusitado de Hermes Trimegistrus. O tempo da Maceió é a Maceió do tempo; isto leva a uma igualdade? É tão linear assim, aquilo que acontece nesta foto? Dá o que pensar!  Não resta dúvida.




Muitas bundas. Bundas novas, bundas velhas às vistas de São Caetano. Um historiador apresado no futuro, vendo esta foto, diria que o povo de Maceió somente tinha costas e 6/8 habitantes eram do sexo feminino.  Para onde vão os do lado esquerdo e o que estão vendo os do centro? De onde vem a roupa à direita, das bandas de Caruaru? Esqueceram o número do telefone? Quantas dúvidas a realidade lança, joga; quem sabe bem mais do  que brotam do imaginário?





A rua é impudica. Eu mesmo fiquei imaginando os enchimentos do sutiã pendurado.  Ela era baixinha e não poderia ter mais do que 1,50 m. Basta ver a distância do sutiã azul  para os seios da mulher que usa camiseta verde. A de verde não está com; bem que poderia comprar ao vendedor fantasma. Só dá mulher andando e praticamente os homens estão preguiçando. 





Um oásis e a devastação das fachadas. O comércio de Maceió decretou-se como a solenização nacional da feiura . A fotografia olha para os lados do Mercado Público e acho que naquele casão ao fundo funcionou as Casas Pernambucanas. Isso era lindo, modesto porém decente. Aqui, até a parte de cima caparam. Ai que saudades que eu tenho da aurora de minha vida...





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