Translation

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Luiz Sávio de Almeida. Uma visão do Carrapicho no Rio de São Francisco

O texto sobre as fotografias está da forma como foi redigido em campo,  logo após ter sido tirada a foto ou depois, à noite, quando as imagens do dia eram repassadas.
                                                                                            
                          
E mais uma vez aparece foto de Carrapicho. Foi na volta. O pessoal subiu. Resolvi ficar. Uma imensa dor de cabeça. Não sei a razão, mas sou fascinado por esta casa que fica na subida. Quem a teria construído?  
Ela não é tão antiga assim, mas também não é tão nova. Na certa quem a fez, não imaginava o quanto de gente iria passar no seu oitão ou por sua frente. Quem sabe,  pensava que o tempo ficaria detido nas cores de suas janelas? O cara buscava simetria e eu acho que as janelas estão altas demais. Será?
Ao lado dela, nada parece com ela. São construções que viram dois mundos em andamento e, portanto, duas Carrapichos. Já li sobre Carrapicho no século XIX e não sei em quem. Será um dos vajantes ou será Halfed? Alguma coisa mudou em Carrapicho? Na certa que sim. O volume da cerâmica não deve ser o mesmo de meu tempo de menino. Eu ía comprar boi de barro, num pedaço da feira de Penedo que era reservado para potes e panelas. Hoje estão barracas de artesanato. Na minha cabeça ficou que era perto do Hotel dos Navegantes. Mas isso não é mais Carrapicho: é Carrapicho em Penedo.
A gente do Carrapicho faz do rio um pouco de tudo. O menino brinca e aponta alguma coisa. As pedras são no porto; o lagedo deve continuar rio a dentro, obrigando a uma curva lá pelos lados da ilha para fazer o caminho seguro do porto. Não se vê marola: não  ventava. O avermelhado da roupa marca um violento contrastate com o azulaverdejado. Seria um menino peixe? Um menino jacaré? Anfíbio não  resta dúvida.
É uma mistura de tudo: cavalo, menino e mulher. Embaixo, um nada construído. Será preciso dizer que sujam-lavam roupas ou seria melhor admitir que o critériodo sujo e do limpo varia? A bacia de alumínio foi embora. Plástico. 
Será que vai levar a roupa para Penedo?  Será que pegou um lavado de roupa? Pode ser preconceito meu, achando que pobre não pode ter roupa.  Elas protegem a cabeça.  Protegem a vida?

Nenhum comentário:

Postar um comentário