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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Luiz Sávio de Almeida. O Rio São Francisco e o crepúsculo

O texto de comentário sobre as fotografias está da mesma forma em que foi redigido em campo,  logo após ter sido tirada a foto ou depois, à noite, quando repassávamos  as  imagens e selecionávamos as que, realmente, desejávamos guardar.


O Rio São Francisco e o crepúsculo




Poucos sentiram a bela sensação de que anoitece e que o Rio de São Francisco não vai e não pode dormir. Nenhum rio dorme e nem mesmo os filetes d'água ou riachos, que são rios meninos e adolecentes conseguem dormir. A gente do rio continua a mexer nas entranhas, como os pescadores que jogam suas redes. Está chegando a hora de parar. Fica perigoso, nada mais se vê. Ainda estamos longe de Traipú, onde desejávamos dormir. Quem sabe a gente fique no primeiro povoado que aparecer e ele será na margem de Sergipe? O barqueiro não poderá ver o que tem por frente, mesmo que sejam acesos os faróis.  Os olhos da lancha são os barqueiros. Onde pararemos?




Para navegar, é preciso estar muito atento. Não é que o São Francisco seja um rio traiçoeiro, mas é que é preciso conhecer bem os trechos e são anos de aprendziado. Uma coisa é ficar por ali nas bandas da foz e e outra bem diferente é subir depois do Penedo e, especialmente quando, depois de Traipu se vai aos poucos para as bandas de Piranhas. Então, é melhor parar. Tenho poucas notícias de lanchas que afundaram aqui no São Francisco.  Mas elas afundam sim. Quando eu era menino, ouvi muito falar de uma lancha que afundou na travessia do Penedo para a Passagem. Morreu foi gente. Na minha cabeça, ficou a desastrosa imagem das piranhas devorando os afogados. Construíram em mim, um pavor exorbitante: as piranhas eram símbolo do mal. Lembro perfeitamente da primeira que vi.

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