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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Banco de Imagem de Alagoas. Rio São Francisco. Penedo. 2011. Vistas cidades


O objetivo do Bando de Imagens que criamos em 1990 consiste em gerar material para utilização por futuros pesquisadores sobre, especialmente, Alagoas. Para efeito de fotografias consideradas históricas e informações a elas pertinentes, sugerimos o site História de Alagoas: www.historiadealagoas.com.br

Estas fotografias foram tiradas durante viagem realizada em 2011, por um grupo de amigos, subindo e descendo o São Francisco, como fizemos diversas vezes.


ALMEIDA, Luiz Sávio de. Penedo do Rio São Francisco. Aproximações e distanciamentos (I). Penedo, Alagoas, 26 de maio de 2011.


 
ALMEIDA, Luiz Sávio de. Penedo do Rio São Francisco. Aproximações e distanciamentos (II). Penedo, Alagoas, 26 de maio de 2011.


ALMEIDA, Luiz Sávio de. Penedo do Rio São Francisco. Aproximações e distanciamentos (III). Penedo, Alagoas, 26 de maio de 2011.
ALMEIDA, Luiz Sávio de. Penedo do Rio São Francisco. Aproximações e distanciamentos (IV). Penedo, Alagoas, 26 de maio de 2011.
ALMEIDA, Luiz Sávio de. Penedo do Rio São Francisco. Aproximações e distanciamentos (V). Penedo, Alagoas, 26 de maio de 2011.
ALMEIDA, Luiz Sávio de. Penedo do Rio São Francisco. Aproximações e distanciamentos (VI). Penedo, Alagoas, 26 de maio de 2011.
ALMEIDA, Luiz Sávio de. Penedo do Rio São Francisco. Aproximações e distanciamentos (VII). Penedo, Alagoas, 26 de maio de 2011.

















domingo, 7 de fevereiro de 2016

Luiz Sávio de Almeida. Memória e cotidiano. Histórias de um velho Capitão






As façanhas extraordinárias de um avô:  o Capitão Antônio de Almeida Braga (I)

Luiz Sávio de Almeida

              
 Os Almeida Braga ou Almeidas da Capela estão na região desde as lutas negras no Quilombo dos Palmares.  Tudo vem de muito longe, fins do século XVII, quando um Capitão do Terço de Domingos Jorge Velho recebe três léguas em quadro de sesmaria, com a cabeça de toda sua terra estando na Barra do Porangaba.  É lá da Barra do Porangaba, que nos inícios do século XVIII, o Capitão escreve carta a El Rey pedindo a confirmação de terras dadas, e diz ter plantado árvores de espinho, ter construído sobrado, ter cabeças de gado e um molinote de fazer açucares, coisa que deveria ser de tamanho rapadureiro.


               Era o grande tronco: Antônio Roiz Vieira que manda buscar sua esposa Ignácia de Almeida Braga em São Paulo; ela desce em sumaca paga por El Rey na tentativa de começar a montar a ocupação da terra, amansar a ferocidade dos paulistanos. O Capitão devia ser gente de Domingos Jorge Velho, pois permaneceu, quando houve o rompimento de facções, ao lado do Cabo de Guerra. O que deve ter acontecido com Roiz Vieira? Teria vindo do Norte com Domingos Jorge Velho? Sei apenas que se geram dois outros Antônios e todos dois: Antônio de Almeida Braga. Um deles era conhecido como o velho, o edificador do Frecheiras conforme o chamava o nosso ilustre primo Wenceslau de Almeida, o historiador da Capela. 



               O outro era o Capitão Antônio de Almeida Braga, conhecido como o moço, o caudilho,  o do Tamoatá, filho de Luiz de Almeida Braga e primo do meu bisavô o velho José Francisco de Almeida, cominho onde estava Íria de Almeida Braga e que terminou por dar o nome a uma de minhas filhas. Íria foi mencionada num escrito do brioso historiador das terras da Capela, o Wenceslau de Almeida, o homem que ajudou a precisar quem era o Domingos Jorge Velho pois existiam vários. Sem sair daquele mundo do Paraíba, era ouvido nacionalmente.  Quando morreu, importante historiador brasileiro teve um texto publicado em Maceió sobre o primo que era irmão do veio Pedro e muito amigo de Manuel de Almeida, o do Banco do Brasil, que era meu pai.


               Este Antônio de Almeida Braga, o moço, o neto, o caudilho, o do Tamoatá era ligado a mim por via de meu avô Fausto Vieira de Almeida pelo lado de minha mãe e pelo lado de Seu Manezinho, meu avô por parte de pai. Na verdade,  no meio tempo de sua vida, era dos lados do Arrasto de  Santa Efigênia de onde costurou e muito a chamada Revolta da Imperatriz, da qual foi um dos mais importantes dentre os cabos de guerra. 


               Este homem é em grande parte, o responsável pela minha cabeça, tanto era o que eu ouvia maravilhado por suas histórias, às vezes contadas por meu pai,  às vezes contadas por minha mãe, todos dois membros do que vou chamar de tradição familiar dos Almeidas que a voracidade do tempo derrubou.  A tradição familiar foi sendo comida pelas mudanças da sociedade, pela urbanização, pela geração de novas e novas  camadas de gente e isto foi estreitando o tempo do reconhecimento das famílias, de tal modo que hoje se chega aos primos de primeiro grau e praticamente tudo se encerra.


              
Não foram os contos de fada e nem as histórias de Trancoso o que fez a minha cabeça de criança. Jamais precisei delas e deles, pelas maravilhas das histórias da Capela contadas por meus pais. Não faz tempo, peguei numa caderneta de páginas amareladas e li as notas que escrevi sobre o que falavam  quanto ao Antônio de Almeida Braga, o neto. Maravilha das maravilhas e o mais puro encantamento. E tão encantado era na minha cabeça, que cheguei mesmo a duvidar de sua existência, considerando que tamanhas façanhas eram construções meio alucinadas sobre um tipo inventado.


               Um dia e faz tempo e bote tempo nisso como diz o Eliezer Setton em uma belíssima composição, encontrei o Moacir Sant’Ana na rua.  Depois do tradicional abraço eu perguntei: “Moacir, você que é historiador, existiu mesmo um tal de Antônio de Almeida Braga?”. Ele balançou a cabeça no sentido de um sim e nada mais foi dito. Passa tempo, recebo um presente; na medida em que ele fazia suas pesquisas, anotava para mim o que encontrava sobre o Antônio de Almeida Braga. Ele existia. No lastro das histórias contadas por meu pai e por minha mãe, estava a realidade do Capitão da Guarda Nacional Antônio de Almeida Braga.


              
Tempos depois, quando tentava ser historiador – desisti de ser jurista – li um artigo do velho Capitão e intitulado Ódio velho não cansa: o seu inimigo deveria continuar esperando, pois o ódio sentido não estava esquecido.  Tempos depois, pegando o livro escrito pelo velho Pedro que foi copista do Wenceslau, estava um seu depoimento sobre Antônio de Almeida Braga. 

OBV. Todas as fotos são da Capela atual. Fotógrafo Luiz Sávio de Almeida

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Eliana Cavalcanti.Memória e cotidiano. Arte. Ballet. A arte de coreografar



    
                                                             
                                                                   

A arte de coreografar
 Eliana Cavalcanti 

            Coreografar é a arte de conceber e compor a sequência de movimentos, passos e gestos de um bailado a serem executados por uma ou mais pessoas, em uma cena, ou espetáculo. A arte da coreografia pode ser utilizada não só na dança, mas na ginástica, no nado sincronizado, na patinação no gelo, em desfiles etc
.
             A palavra coreografia vem do grego e significa escrita da dança. Segundo o crítico de dança, falecido em 1991, Antonio José Faro, o termo apareceu pela primeira vez, em 1777, no livro A arte da dança, da coreografia e de escrever danças, de Brunswick. O coreógrafo, portanto, é o indivíduo especialista em coreografia. Ele precisa ter muito talento e muita vivência na modalidade que pretende coreografar. Um bom bailarino, com toda a sua experiência, não necessariamente será um bom coreógrafo se lhe faltar talento para tal. Do mesmo modo, o talento sem a experiência poderá resultar num trabalho medíocre. O coreógrafo é um verdadeiro operário da arte e precisa ser estudioso, perspicaz, sensível e observador do mundo. O seu ofício é regido por uma espontaneidade intuitiva, aliada ao seu talento e à sua bagagem artística e cultural. São ideias que dialogam com a música, embora em casos raros sejam criadas coreografias sem música. 

           
Jiri Kyllianán
  A coreografia pode partir de um tema,
de um enredo, de uma música, de um poema, de um sonho... No meu caso, já tive várias pontos de partida. Mas, durante o processo criativo, o que me conduz a criar, efetivamente, é a música, com toda a sua riqueza melódica e construção dos seus compassos, tempos, tons e semitons. Ela desperta ideias adormecidas, frutos das informações que tenho guardadas na minha memória cognitiva, corporal e afetiva. Ela flui, então, espontaneamente. O racional fica mais por conta dos desenhos traçados no palco ou das formações elaboradas a partir dos corpos dos próprios bailarinos. Aqui, gosto de pensar e pensar para que o resultado seja harmonioso aos olhos do espectador.    
  
             Certa vez eu estava num tumultuado congestionamento de trânsito na avenida Fernandes Lima, quando percebi que no carro da frente o motorista me acenava pelo retrovisor. Não o reconheci de imediato, e fiquei com medo de responder ao aceno. Como o trânsito não fluía, ele resolveu descer. Deixou a porta do carro aberta, e me entregou um CD, dizendo: “Escute este CD. Aí tem uma música que vai dar uma ótima coreografia!”. Era uma música de Bach com arranjo de Yan Anderson. Assim que a ouvi, imaginei três mendigos brincando numa rua deserta. Levei o trabalho para um festival de dança do Mercosul, em Bento Gonçalves, e tiramos 2º lugar em coreografia, na categoria balé moderno avançado. O amigo que me deu o CD não era da área de dança, e sim um músico com uma sensibilidade especial.   


             O ideal seria que todo coreógrafo tivesse um pouco de conhecimento teórico sobre música. E foi com essa ideia que um dia, saindo de casa para me inscrever no vestibular de Psicologia, ao ouvir um som musical, vi que estava em frente ao Conservatório Pernambucano de Música. Desci do ônibus, e lá me matriculei, postergando o estudo universitário.  

             O primeiro momento da criação de uma coreografia é uma caixinha de surpresas tanto para o coreógrafo como para os bailarinos ou dançarinos, que devem estar abertos, receptivos. As criaturas são extremamente importantes para o criador. Devem ser matérias-primas de excelente qualidade para que se possa criar uma obra de arte através delas. Devem absorver a ideia inicial do coreógrafo, e nela colocar os seus valores artísticos e as suas personalidades, ou seja, devem ser intérpretes da obra. Maurice Béjart, uma dos maiores coreógrafos do século XX, diz em seu livro Um instante na vida do outro: “A cada dia sentia mais a necessidade de lidar com bailarinos que não fossem só bailarinos. Não suporto o bailarino-bailarino, o ‘bailarino-puro’: porque, como as experiências químicas, é artificial, só existe nas provetas. Sempre estive rodeado de personalidades. Quero que não se esqueçam do rosto dos meus bailarinos, seus olhos, seus sorrisos, suas tristezas”.

           
Maurice Béjart
 
   Já chorei várias vezes vendo belos trabalhos. Uma das vezes, foi assistindo, no Teatro Municipal de São Paulo, a um espetáculo do grande coreógrafo tcheco Jirí Kylián, de quem sou fã desde a década de 1980. A sua inventividade me reduziu a um grão de areia. Mas eu estava feliz por ter a oportunidade de ver, pessoalmente, a genialidade de um mestre na arte de coreografar. 

           Cada coreografia é uma nova descoberta, um desejo de dizer algo, de emocionar, de registrar ideias. E poderá, sem dúvida, ser o testemunho de uma época.